Quarta-feira, Maio 10, 2006

A democracia na internet

Pelo que percebi dos comentários dos meus colegas de cada vez que se fala disto, eu diria que não existe democracia na Internet. Está bem...a verdade é que eles defendem muito bem o seu ponto de vista. No entanto, podemos começar pelo conceito actual de democracia. Ora, democracia significa liberdade não é? Pelo menos assim a vemos quando falamos em termos políticos. E sinceramente só podemos falar em democracia tendo como base a política - assim dizia Platão n'A República.
Analisemos por isso, agora, a Internet. Temos regras a cumprir, como não aceder a nada a não ser que estejamos registados. Muitas vezes temos de dar os nossos dados, outras vezes temos de pagar. Contudo, se pensarem naquilo que tanto criticamos como o controlo na Internet, concordaram comigo que esse mesmo controlo passa por todos estes passos. Poderia dar o exemplo da democracia nos blogues. Não há democracia? Qualquer um pode criar um blogue e qualquer um pode comentar um blogue. Se não o pode fazer é porque o próprio dono do blogue assim não o quer. Mas não terá ele direito a que isso seja feito? Não se pode considerar censura quando o dono do blogue faz a selecção dos comentários. É o mesmo que não querer ouvir a opinião de quem não lhe interessa ou de quem eu acho que não lhe é importante.
Se falarem em democracia no acesso à Internet...também acredito que haja. Já em qualquer sítio e país se pode aceder à Internet. Podem não ter dinheiro? Então também não é com uma necessidade que não é primária que eles sobeviverão.
Portanto, acho que quando se fala em democracia na Internet,se fala sobre aqueles que têm acesso a ela. Pelos exemplos que dei e pelos exemplos que vocês deram...poderia dizer que sim: não há democracia na Internet.
Todavia, eu vou lançar a polémica. Vocês vivem numa sociedade democrática? Vocês dir-me-ão que sim, sem qualquer dúvida. Mas quando vos disser que vivem numa sociedade regulamentada, cheia de regras e artigos no código penal, civil e na Constituição, vocês dir-me-ão que isso é natural pois serve para o bom funcionamento de tal sociedade. Pois se olharem para a Internet como uma sociedade (e o é) também verão que é necessário ter regras e regulamentações. Não deixa por isso de ser democrática.
Vocês têm razao em tudo o que disseram. Mas este ponto de vista também tem de ser aplicado, e portanto, em certa medida, a Internet pode ser democrática!

Sábado, Maio 06, 2006

Desafio à gravidade de inteligência

Estou numa fase em que dar opinião se pode tornar uma acção "agressiva"! De tal modo vou deixar um tema sobre o qual irei reflectir mais adiante no blogue, mas sobre o qual, também, quero que me deixem os vossos comentários construtivos.

Porque existem tantas críticas à Internet e aos computadores em particular quando o aumento crescente do mercado de gadgets é tão vísivel nessa mesma sociedade crítica?

Força!


Quinta-feira, Maio 04, 2006

Quem dá mais?

Centro juvenil Padre António Vieira em Timor-Loro Sa'e
Um centro tecnológico numa sociedade em desenvolvimento
O principal objectivo do trabalho, apresentando um exemplo concreto:
* perceber de que moda as novas tecnologias se apresentam numa sociedade de um país de 3º Mundo
* perceber de que modo as novas tecnologias são aceites nessa mesma sociedade
* compreender as vantagens das novas tecnologias na construção e desenvolvimento dessa sociedade
* em que pontos da sociedade as novas tecnologias podem ser contributivas (tendo em conta o crescimento da sociedade)
* qual a importância dos apoios às tecnologias (estrangeiros)
* referir a info-exclusão
* referir o acompanhamentos das tecnologias com a sociedade
* novas iniciativas para a integração dos jovens num futuro tecnológico

tipo de sociedade - tecnologia
questão cultural
* Perde-se identidade com as novas tecnologias?*
Que acham? Aceitam-se sugestões para pontos da matéria que achem pertinentes focar ou que eu própria me tenha esquecido!! Acham que é interessante este ponto de vista ou acham que poderia pegar noutro ponto da matéria teórica? Vá lá..."proponham-se-me"!

Quarta-feira, Março 29, 2006

Nostalgia de uma carta

"Escrever e pensar no que se escreve, no que se vai escrever e no que se vai contar a seguir. Escrever de forma a perder a noção do tempo, e de forma a detalhar tudo da melhor maneira possivel." (Nuno Barba, in Future is my Reality)

Na idade da Pedra, enquanto eu tirava o 12º ano numa escola na "santa terrinha", fui obrigada a escolher entre Filosofia e Inglês. Escolhi Filosofia. A minha melhor amiga escolheu Inglês. Não nos queriamos separar, mas os objectivos eram diferentes! A tua história, Nuno, lembrou-me a minha! Via-a todos os dias; ela tinha aulas no mesmo horário que eu; no mesmo bloco que eu! Mas 5 a 10m para falar nos corredores não era suficiente. Não que tivessemos muito a falar...mas qualquer coisa servia de conversa, ou serviria, caso estivessemos ainda sentadas uma ao lado da outra. Sabes como é...miúdas de 16 anos! Tudo gera conversa. Mas nós não tinhamos tempo nem para isso! Partilhávamos o mesmo cacifo e daí surgiu a ideia de partilhar mais alguma coisa: cartas! Sim!!! Escreviamo-nos todas as semanas. Começou por ser todos os dias...mas depois com o atarefar dos estudos, dos trabalhos e exames, passou para 1 vez por semana. Mesmo assim, as novidades eram imensas. Cartas de 5 a 6 folhas...escritas à mão, com um ADRT (Adoro-te) no fim enorme! Escrito à mão...Sublinho...Escrito à mão!Tinhamos tanto a dizer! Ainda que a visse...bastava dizer: "Já lá está!" Estava tudo dito!
A tua história fez-me recordar estes tempos...que mesmo com telemóvel, telefone, internet etc., nós preferimos as cartas, sempre escritas à mão. Cartas "personalizadas"! As sms's?Já faziam parte da nossa vida. Mas as cartas...essas guardo-as ainda! As sms's perderam-se conforme fui trocando de telemóvel! As cartas dela, escritas por ela, faziam com que me sentisse de novo sentada ao seu lado a conversar durante uma aula, sem sequer sabermos a página onde iamos!


"Mas o que tem tudo isto a ver com o tema deste post... De certeza que já estão a pensar nisso!"

Imagino os meus filhos, os meus netos a escreverem uma carta. Mas isso porque eu sei escrever uma carta. Todavia, hoje em dia...já não se sabe o que é escrever uma carta. Não será este sentimento de "revolta" apenas nostalgia de bons momentos? Caso recebêssemos um e-mail que contivesse o mesmo, não ficariamos de igual modo felizes? Claro que sim. Mas a alegria é maior quando não esperamos que determinada acção seja feita assim. Aposto que te sentirias feliz da mesma maneira, e com vontade de lhe responder da mesma maneira, caso recebesses um e-mail! É ou não é? Para nós, que sabemos escrever cartas, que recebiamos cartas, que sabemos que o papel um dia existiu rabiscado por alguém...para nós...abrir o correio é apenas um acto nostálgico. Na caixa do correio constam apenas as contas para pagar (que passarão a chegar por e-mail também), a publicidade indesejada e uma ou outra revista de que somos assinantes. Notícias dos amigos? Temos pelo telemóvel (agora com sms's grátis entre as mesmas redes), pelo telefone, pela internet, pelo e-mail etc.. Mas uma carta...é apenas uma acção nostálgica...o prazer de receber notícias dos outros entes e amigos queridos é o mesmo por telemóvel, por telefone, por e-mail ou por carta!

Nuno, guardemos as cartas, para mostrarmos ao nossos o que eram as cartas e a tecnologia que queremos que persista!

Um Smart para todos

Criatividade? Que significa criatividade? O que tem a ver a criatividade com a informação, com a digitalização de informação e com uma sociedade em rede? Por mais complexo que possa parecer, o assunto é bastante fácil de abordar. Uma boa gestão do conhecimento leva à inovação, à transformação e também à melhor adaptação dos contextos às pessoas. Ao mesmo tempo que vivemos numa sociedade que gere o conhecimento, o problema que se levanta é precisamente o de como passar esse conhecimento sem que perca informação? Es te é um processo que pode ser visto como um ciclo vicioso e virtuoso. Geramos conhecimento para depois aplicá-lo; e depois de aplicá-lo, geramos novamente conhecimento. E agora, num outro nível resta saber como as outras pessoas estão dispostas a receber esse conhecimento.

De forma criativa, claro está! E-learning é a melhor forma de ilustrar a criatividade à passagem de conhecimento. As campanhas publicitárias...só têm sucesso quando a mensagem é passada de forma irreverente e criativa e isso advém do conhecimento que a empresa detém sobre os clientes.

Contudo, falando de criatividade adjunta à tecnologia, nada melhor que falar de carros. Há uns anos atrás, quando o Smart começou a ser comercializado, o design e a dinâmica do carro foram um grande avanço quanto à estética da indústria automóvel.

A primeira vez que vi um Smart foi na Feira da Fil, um ano antes de ele começar a ser comercializado em Portugal. Era ainda um protótipo. De certa forma, pouco liguei à marca, mas fiquei encantada com o modelo! Já tinha visto carros pequenos: o Twingo da Renault, o Lupo da Wolksvagen ou até, mais antigo, o chamado "2 cavalos" da Renault. Mas qualquer coisa chamava a atenção naquele carro. Era pequeno, mas mais que pequeno era..."alegre". Quando o vi, o material de que era composto era plástico. O capôt (se assim se pode chamar) era de plástico cor de mármore. Ainda tentei espreitar para saber se por acaso estariam a "brincar" com os visitantes, mas não! Por dentro...ainda estava bastante vazio. Mas os vídeos mostravam muito.
Entretanto, esqueci-me do carro que vi. Passado um ano, vi o primeiro Smart na rua, com a publicidade da Sapo! "Conheço aquele carro de algum lado...só nao sei de onde!" - foi o que me passou pela cabeça.

Na sociedade em que vivemos, cada vez mais consumista, cada vez mais dinâmica, insatisfeita, irrequieta, exigente e "rainha" no mercado automóvel (e em tantos outros) o Smart veio revolucionar toda a estética a que estavamos habituados. Carros arrumados ao longo de uma fila? Já não é preciso isso! Com um Smart, podemos quebrar a regra. Um carro citadito, pequeno, versátil e com espaço? Com um Smart é possível ter o espaço suficiente para 2 pessoas. Sim, as desvantagens recaem sobre a segurança deste carro. Contudo, é um Mercedes!
A restante gama Smart apareceu depois. Smart Forfour, Smart e Smart Roadster! Todos eles são criativos; ou apelam à criatividade de cada um. Escolha da cor, da pele, das jantes, das "saias", do tablier...Criatividade e escolha são as palavras de ordem do Smart.

Unir criatividade, inovação, satisfação, funcionalidade e design ao conhecimento, incutido a posteriori na sociedade dá frutos!
E dos suculentos!

Quinta-feira, Março 02, 2006

Vou-me lembrando...

Desde que entrei no fervor de ver todas as publicidades que passam nos canais de televisão que tenho tomado atenção a muitos pormenores. Obviamente, o facto "mulher" está cada vez mais enraizado nos conhecedores e fazedores de marketing. Ora, são as mulheres que "governam" uma casa, são as mulheres que mais falam ao telemóvel, são as mulheres que cada vez mais vão buscar os filhos à escola, são as mulheres mães que são os auxiliares em tudo dos seus filhos e são até as mulheres que começam a mudar as lâmpadas em casa. Não é de estranhar por isso, que os anúncios televisivos a qualquer produto tenham sempre a companhia de uma mulher. Ora é a botija de gás Pluma da Galp, ora são os carros "inteligentes", ora é a utilidade de um telemóvel, ora são iogurtes e bolachas, ora é, por último exemplo numa lista infinita, as roupas desportivas. Roupas desportivas? Sim! É verdade. A Nike soube aproveitar bem a figura feminina para promover o seu material desportivo não futebolístico. Há uns tempos seria uma rapariga musculada, bem treinada e com flexibilidade suficiente para conseguir derrotar 3 ou 4 colunas que ecoavam uma música bem ritmada. Agora, continua a ser uma mulher, mas não tão formosa, e que no entanto desempenha bem o papel que a Nike quer transmitir: desporto não é só para os esbeltos assim como as roupas da Nike não são feitas apenas para os "escanzelados". De modo que se compararmos os dois anúncios e as duas mulheres poderemos dizer que não diferem muito e que o objectivo da Nike foi conseguido.

O marketing, as publicidades tradicionais, os spots de rádio e de televisão estão cada vez mais astutos. Pedem inteligência, rapidez e agilidade de pensamento dos espectadores, pedem também imaginação e ainda mais suscitam a discussão. Como se diz na gíria "Estes anúncios estão cada vez mais à frente". O melhor de tudo? É que não passam despercebidos e se não conseguem vender através do anúncio e do melhor anúncio jamais visto, conseguem vender através do "passa-palavra" e da discussão que gera. Hoje-em-dia já não me importo de ver 20m de publicidade. De cada vez que vejo um anúncio que jã não me é novo encontro sempre alguma falha ou algo que me fascina.
"Estes marketeer's são bué «mentes inteligentes»!"

Quarta-feira, Março 01, 2006

Menos um Ford Fiesta para a noiva

Ciclos-curtos? Faz lembrar apenas a brevidade com que o anúncio do Ford Fiesta passou na Tv. Aquele em que a noiva decide fugir com o carro que a vem chamar à porta da Igreja. Não sei o porquê de tanta brevidade. Talvez tenha ofendido valores muito importantes da sociedade, talvez tenha utilizado qualquer adereço que o Código da Publicidade não deixa que se use, não sei...No entanto, rapidamente desapareceu de vista esse anúncio. A continuação deste anúncio também foi rapidamente tirada das Tv's. Foi um dos anúncios que se calhar prejudicou mais a empresa. Não estava bem conseguido, não tinha lógica e punha em causa um valor que, apesar de muito distorcido hoje, ainda é importante: o casamento. Não tinha nada que nos atraísse e por vezes o mais simples é o menos compreensível, daí que talvez tivessem tido necessidade de pôr duas vozes (femininas) a explicar o anúncio. Mesmo assim não deu resultado. Hoje em dia, os anúncios a carros querem-se agressivos, com música, ritmo, velocidade e muita cor. Este anúncio pecava por falta de todos estes elementos. O valor do carro é esse mesmo ritmo e velocidade. O anúncio não o demonstrava.

Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006

Era do efeminado

Já repararam que a sociedade está em constantemente transformação, como é lógico. O engraçado agora é assistir a essa transformação tendo noção de que a percebemose apreendemos. A moda é uma transformação da sociedade e damo-nos conta dela de estação em estação. No entanto, esta tende a surpreender-nos, quer negativamente para uns, quer positivamente para outros. Mas não é disso que se trata o meu assunto.
Mais engraçado ainda é assistir a essa transformação vendo que, de facto, os meios de comunicação são o 4º poder da nossa civilização. Vivemos numa Era em que o feminino é tido em conta como o ponto de partida para qualquer decisão e representação comunicacional. Ora vejamos...um exemplo que de certeza já todos se deram conta: a mudança do letring da marca Continente. As letras estão muito mais redondas, brilhantes e com um vermelho muito mais vivo. Por outro lado, os novos modelos da Volkswagen, tanto do Golf como o novo Fox, têm umas linhas muito mais redondas e estão bem "mais encorpados" - se me consigo expressar. Mais flagrante ainda, ainda em relação à indústria automóvel, os carros estão maiores, com mais espaço, com maiores funcionalidades e com mais arrumação. Será porquê? A ideia de que os produtos que se vendem são principalmente geridos, comprados e avaliados pelo sexo feminino faz com que o conceito de soft seja trazido à superfície. Estamos numa época em que o Q.e. se sobrepõe ao Q.i.. Desmembro: Q.i.: coeficiente de inteligência; Q.e.: coeficiente de emoção. São, irredutivelmente, as emoções que lideram o mundo do Marketing, o mundo do comércio e o mundo da Comunicação. Sendo a comunicação uma variável intrínseca a toda a sociedade, assim como uma grande influência, esta tende a tornar-se um poder das emoções do feminino. Poderiamos perfeitamente falar da ascensão política ou da posição social do género feminino. Mas não é apenas disso que se trata esta concepção da realidade. É sobretudo de uma linha ideológica que tem vindo a mudar. A Lógica Mecanicista da produção em série desenvolvida nos anos 20 deu lugar à Valorização da Emoção que advém da exigência de inovação e rapidez de resposta. É este o papel do feminino soft numa sociedade que se deixa levar pelo consumo, pela "império do novo", pela abundância e pela velocidade. Hoje em dia não se vive sem prazer e o sacrifício e sofrimento são postos de lado. Hoje em dia para se vender (que é disto que se trata a sociedade de hoje, de um comércio, de uma troca) há que satisfazer esta ânsia de prazer. Prazer revela-nos a emoção de que somos constantemente assaltados. Emoção em detrimento da racionalidade das máquinas e do mecanicismo.
É disto que se trata a Era do Efeminado!